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7º Congresso de Saúde Mental ABRASME 2020 ©

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minicursos e oficinas

09.12.2020

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MINICURSOS

 

08:00 às 12:15 - Grupo Temático de Saúde Mental de Crianças e Adolescentes da Abrasme

Luciana Togni de Lima e Silva Surjus (UNIFESP), Maria Aparecida Affonso Moysés, Maria Cristina Ventura Couto (UFRJ), Ilana Katz (USP), Carla Biancha Angelucci (USP), Ricaro Arantes Lugon (FEEVALE), Claudia Mascarenhas (Instituto Viva Infância), Bárbara Costa Andrada (UFRJ), Cecília Azevedo Lima Collares (UNICAMP), Maria de Lurdes Zanolli (UNICAMP)

Contextualização: A preocupação com a saúde mental de crianças e adolescentes tem sido postergada no âmbito das políticas públicas, compondo um cenário de imenso distanciamento do que foi proposto enquanto prioridade nas agendas de um Estado Democrático de Direito. Malgrado esforços expressos em articulações locais e pouquíssimos documentos governamentais, parece paradoxalmente emergir nas aspirações de controle autoritário da liberdade, evidentes nos processos de medicalização, criminalização, e privação de liberdade. No 4º Fórum Brasileiro de Direitos Humanos e Saúde Mental, ocorrido no período de 20 a 22 de junho de 2019 na cidade de Salvador, a Abrasme efetivou o lançamento do Grupo Temático de Saúde Mental de Crianças e Adolescentes que pretende articular atores protagonistas no campo da saúde mental infantojuvenil, para organizar as lutas que perpassam para a sustentação teórico-prática e clínico-política de uma atenção psicossocial engajada com a necessária crítica e promotora de agenciamentos capazes de produzir novos possíveis e novas subjetividades. Justificativa: No ano em que comemoramos os 30 anos da Convenção dos Direitos das Crianças, do qual o Brasil é signatário, recebemos em nossas casas, pela grande mídia, e em nossos serviços, em famílias desesperadas, as histórias e corpos sobreviventes, enquanto executivo e legislativo avançam com o projeto de desmantelo das políticas públicas por meio de legislações e normativas que restringem os direitos à saúde, educação, assistência e asfixiam possibilidades de controle social, no caso da infância, atingindo diretamente o Conselho Nacional dos Direitos das Crianças e Adolescentes (Conanda). Atônitos, nos desmobilizamos. Mas também ressignificamos e reorganizamos nossos esforços e juntamos nossas lutas. Esse minicurso pretende promover encontro presencial do GT para avaliar avanços e desafios frente ao planejamento realizado em janeiro de 2020, bem como propiciar trocas entre profissionais, pesquisadores, usuários e familiares, além de estruturar a agenda de ações e produções para o próximo semestre. Metodologia: roda de apresentação das ações do GT, compartilhamento de experiências e articulação de agenda das ações. Recursos Materiais: são necessários recursos audiovisuais.

 

08:00 às 12:15 - Movimento Internacional de Ouvidores de Vozes: um outro modo de tecer cuidado em saúde mental

Roberta Antunes Machado (IFRS), Luciane Prado Kantorski (UFPel), Liamara Denise Ubessi (UFPel/AUSSMPE/ CMOV/Povaréu Sul), Ivon Fernandes Lopes (UCPel/ AUSSMPE/Povaréu Sul), Isadora Oliveira Neutzling (UFPel)

Contextualização: O Movimento Internacional de Ouvidores de Vozes (MIOV) nasce na Holanda no final da década de 1980. Defende que ouvir vozes que outras pessoas não ouvem não é um problema, mas sim como cada pessoa lida com essa experiência. Desenvolve em diversos países do mundo o trabalho com grupos de ouvidores de vozes, com a finalidade de oferecer as pessoas que passam por essa experiência uma oportunidade de compartilhá-las de modo a construir estratégias de enfrentamento para lidar com esse evento. As experiências compartilhadas produzem uma forma de cuidado e de saber alternativo ao psiquiátrico acerca desse fenômeno. Objetivo: Discutir a experiência da audição de vozes a partir do trabalho desenvolvido pela Coletiva de Mulheres que Ouvem Vozes (CMOV), Associação de Usuários dos Serviços de Saúde Mental de Pelotas (AUSSMPE) e do Grupo de Pesquisa em Enfermagem em Saúde Mental e Coletiva(UFPel) na cidade de Pelotas e região Sul como forma de cuidado e de resistência antimanicomial em saúde mental. Metodologia: O minicurso começará com uma rodada de apresentação dos participantes. Em seguida, abriremos o diálogo para uma roda de conversa sobre o que os/as participantes conhecem sobre o MIOV, após apresentaremos o MIOV por meio de artigos publicados pelo do Grupo de Pesquisa em Enfermagem em Saúde Mental(UFPel) e dos trabalhos desenvolvidos pela CMOV e AUSSMPE na comunidade e em alguns serviços de saúde mental na cidade de Pelotas e região, recorrendo a exposição de fotos e vídeos, com exposição em power point, em seguida iremos trabalhar com narrativas de pessoas ouvidora de vozes, publicadas em um periódico científico organizado pelo grupo de pesquisa com participação da CMOV, AUSSMPE, pesquisadoras e pesquisadores de outras instituições de ensino nacional e internacional . Após abriremos outra roda de conversa para debater sobre o modelo de cuidado em saúde mental na perspectiva do MIOV e da psiquiatria tradicional. Para realizar esse minicurso necessitaremos de power point e computador com acesso a internet. A avaliação será mediante a expressão escrita, verbal ou artística de cada participante sobre a experiência da audição de vozes como forma de cuidado e de resistência ao modelo hegemônico em saúde mental.

 

08:00 às 12:15 - Mulheres e Drogas: Reflexões para o cuidado feminino em CAPS AD

Catharina Cavalcanti de Melo (UFPE), Evelly Nathália Lira de Araújo (UPE), Luciana Ferreira Gomes Espíndola (CAPS AD CPTRA e Hospital das Clínicas), Wanessa da Silva Pontes (CAPS AD Prof.º José Lucena)

A defesa da luta antimanicomial requer mediações acerca das diversas estruturas de opressões que moldam o sistema patriarcal-capitalista-racista e mobilizam aspectos objetivos e subjetivos do sofrimento mental. Isto posto, é primordial pensar a questão de gênero e os estigmas que circundam o uso abusivo de álcool e outras drogas por mulheres, para compreender seus desdobramentos no processo de cuidado em saúde mental, interno e externo aos serviços substitutivos. Desde já, algumas problemáticas são manifestadas no próprio cotidiano desses serviços. Um levantamento institucional organizado no CAPS AD Prof.º José Lucena, na cidade do Recife, elucidou que menos de ¼ dos/as usuários/as do serviço eram do sexo feminino, um dado expressivo e comparável a outros serviços, que pode ser mensurado também pela recorrente não adesão ou abandono do acompanhamento. Segundo Pinheiro et al. (2002) as mulheres, em comparação aos homens, apresentam uma maior predisposição na procura e acesso aos serviços de saúde no geral, contudo, quando se trata da busca por dispositivos de atenção à saúde no tratamento de uso/abuso de álcool e outras drogas, a situação se inverte. Essa realidade pode ser compreendida se considerarmos que essas mulheres são duplamente estigmatizadas, por não cumprirem os papéis sociais femininos, e por fazerem o uso da droga. Elas são expostas a inúmeras formas de adoecimento, sem os cuidados e assistência necessária, e possuem uma tendência a continuarem anônimas, adiando a procura pelo tratamento ou abandonando-o muito cedo (PINHEIRO et al. 2002). Isso quando possibilitado o acesso. Diante disso, é possível constatar que há a necessidade de aperfeiçoar ofertas de cuidado, tendo em vista a ampliação de recursos que dialoguem e contemplem as especificidades fisiológicas, psicológicas e sociais dessas mulheres, baseadas em proposições e estratégias de Redução de Danos. É importante elucidar ainda, as diferenças nos papéis de gênero entre os diferentes setores sociais brasileiros, como urbano/rural, burguesia/classe trabalhadora, e também a questão étnico-racial, visto que existem divergências historicamente marcantes nas espaços socialmente ocupados pelas mulheres. O objetivo deste minicurso é fortalecer o debate sobre as questões de gênero que perpassam a oferta de cuidado e adesão de mulheres em uso abusivo de álcool e outras drogas, nos Centros de Atenção Psicossocial para Álcool e outras Drogas (CAPS AD). Para isso, serão utilizadas metodologias participativas, priorizando o conhecimento prévio dos/as inscritos/as, a fim de ilustrar inquietações e iniciar o debate. O espaço contará com três momentos, que se inicia com a sensibilização a respeito das categorias centrais – mulheres, drogas e Clínica Ampliada – utilizando recursos audiovisuais e compartilhando experiências, vivências e percepções sobre o tema. Posteriormente será facilitado o debate teórico, com apresentação de dados epidemiológicos e sociodemográficos coletados em CAPS AD da cidade do Recife, assim como o aprofundamento das problemáticas e possibilidades no contexto de cuidado nesses serviços, a partir de eixos estratégicos como, PTS, território e família, apoio matricial, RD e controle social. Por fim, será construído coletivamente um mapa conceitual que propunha estratégias de atravessamento da clínica ampliada na questão de gênero, considerando o fluxo operacional dos serviços.

 

08:00 às 12:15 - Quando o Trabalho Adoece: conceitos, vivências e estratégias de enfrentamento ao sofrimento mental no trabalho

Tatiana dos Anjos Magalhães (UFF), Sônia Regina da Cunha Barreto Gertner (ENSP/FIOCRUZ), Lucia Rotenberg (IOC/FIOCRUZ)

No contexto atual de contrarreforma da saúde no Brasil e de desmonte da rede de atenção psicossocial, é de suma importância discutir o tema da saúde mental e trabalho. Os profissionais que atuam na área são afetados diretamente por essas medidas, que fragilizam ainda mais a sua saúde mental. Camargo (2014) estima que os transtornos mentais relacionados ao trabalho são os principais causadores de incapacidades, sendo identificados como importantes problemas de saúde pública. Entre os servidores públicos, os transtornos mentais configuram entre as principais causas de afastamento no trabalho (SCHLINDWEIN; MORAES, 2018). Algumas correntes teóricas discorrem sobre o tema da saúde mental e trabalho, dentre elas, o Desgaste Mental trazida por Seligmann- Silva (2004; 2011), que entende o desgaste mental como a perda da capacidade laborativa durante o processo de trabalho. Nesta teoria o processo de trabalho é visto como determinante principal da relação entre saúde-doença das coletividades (LAURELL, 1993). Outra corrente teórica é a Psicodinâmica do Trabalho, do médico psicanalista Christophe Dejours, que analisa a saúde mental e trabalho a partir da dinâmica entre o prazer e o sofrimento no trabalho. Objetivo: (1) apresentar os conceitos da teoria do desgaste mental e da psicodinâmica do trabalho, (2) discutir alguns textos que tratam da saúde mental dos trabalhadores da Rede de Atenção Psicossocial, (3) partilhar as vivências relacionadas à saúde mental e trabalho dos participantes do minicurso, (4) identificar possíveis estratégias de enfrentamento do sofrimento no trabalho. Metodologia: o encontro consistirá numa apresentação dialogada dos principais conceitos das duas correntes teóricas propostas, discussão sobre textos que analisam especificamente a saúde mental dos trabalhadores da RAPS e uma parte final de partilha de vivências e identificação de estratégias de enfrentamento do sofrimento no trabalho. Materiais necessários: uma sala ampla que comporte 30 pessoas, data show para apresentação e microfone. Avaliação: conforme formulário de inscrição.

 

08:00 às 12:15 - Terapia Comunitária Integrativa - Espaço de escuta, palavra e vínculo

Anamélia Lins e Silva Franco (UFBA), Josefa Emília Ruiz (CENPE/UNESP), Maria Lúcia de Andrade Reis (CAIFCOM-ABRATECOM RS)

O presente mini-curso consiste em uma breve apresentação dos pressupostos teórico-metodológicos da Terapia Comunitária Integrativa (TCI), uma das 29 PICS dentro da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde. A TCI é uma PIC originária do Ceará (Brasil) numa experiência de extensão universitária na qual o desafio do combate a medicalização possibilitou as bases desta prática. os fundamentos teórico-conceituais da TCI são: Teoria de Paulo Freire, a Antropologia Cultural, a Psicologia Sistêmica, a Teoria da Pragmática da Comunicação e o conceito de resiliência com o propósito de formação de redes sociais. Estas bases possibilitam a vivência de uma prática social/terapêutica que preserva o direito dos participantes serem escutados, falarem em primeira pessoa, partilharem experiências, articulem o saber popular das músicas, dos ditados, dos provérbios e das piadas com a experiência explicitada na roda, . A TCI é ofertada como uma estratégia de promoção da saúde mental na atenção primária em todo o Brasil, na América Latina e países da Europa e da África. A formação em Terapia Comunitária possibilita que pessoas das comunidades, agentes comunitários de saúde e profissionais em geral. A versatilidade dessa prática e a sua origem brasileira são motivos para ampliar cada vez mais sua oferta. Nessa oportunidade pretende-se fortalecer os vínculos da TCI com profissionais da área de saúde mental. Objetivos: Apresentar o cenário atual desta prática, a produção científica na área, bem como o impacto junto à saúde comunitária. Metodologia: A metodologia proposta para esta atividade prevê uma exposição dialogada, apresentando seus alicerces teóricos, as aprendizagens e desafios que esta prática genuinamente nacional tem construído ao longo de mais de três décadas, desde a sua criação no final dos anos 80 no nordeste do Brasil. Após a apresentação, vivenciaremos na prática uma roda de TCI conduzida pelas autoras da proposta e ao final será aberto um espaço para uma conversa apreciativa da atividade.​

 

08:00 às 12:15 - Cooperativismo Social, Saúde Mental e Economia Solidária

Ana Luisa Aranha (Enfermeira, Professor Doutor Senior da EEUSP); Pedro Montaldi Gava (AVA); Felipe Teixeira Genta Maragni (AVA); Caroline Ballan (AVA); Íris Smaniotto Roschel Rotger (AVA); Anna Luiza Monteiro de Barros (Psicóloga)

Este Curso concebe cada participante como sujeito do processo multiplicador de saberes e rejeita identificá-lo como mero receptor de um modelo pronto, assim, constituir-se-á como: 1. O encontro grupal, um espaço vivo de debates, para pensar e repensar a prática; 2. Um ambiente para criar e recriar conhecimentos, ver e rever pressupostos;
3. Uma experiência para descobrir e socializar desafios e perspectivas do trabalho voltado para visão integradora do ser humano como ser social. Como todo processo de formação é resultado de condições históricas e depende de um longo processo de reflexão sobre a própria prática, o coletivo de construção do conhecimento implica em discussão, troca de experiências e estudo teórico, com clareza e explicitação da fundamentação teórica, que servirá de guia para a ação educativa.

 

08:00 às 12:00 - Reforma Psiquiátrica no Brasil: história e desafios contemporâneos

Paulo Amarante, Ana Paula Guljor, Eduardo Torre  (LAPS-ENSP/FIOCRUZ)

O processo de Reforma Psiquiátrica brasileiro inicia-se em fins da década de 70 e durante as últimas quatro décadas se constituiu como uma das transformações do modelo de cuidado em saúde mental mais exitosas do mundo, além de um amplo processo de mudanças de relações sociais para com a loucura e o sofrimento mental. O diferencial do processo brasileiro caracterizou-se pelo protagonismo de usuários e familiares e uma construção coletiva de políticas públicas através de 4 conferencias nacionais de saúde mental. O marco legal de garantia de direitos das pessoas em sofrimento psíquico foi promulgado em 2001 sendo uma das legislações pioneiras na América Latina. Apesar de seu reconhecimento como política de Estado e grandes avanços no que se refere as práticas de cuidado em liberdade ainda se depara com grandes desafios. Para além da necessidade de ampliação dos dispositivos territoriais e fechamento dos hospitais psiquiátricos, a desinstitucionalização, conceito orientador do modelo de atenção psicossocial, pressupõe a desconstrução de estigmas e uma transformação do lugar social da loucura. No Brasil de hoje, atravessado por questões estruturais como o racismo e a violência, e pelo acirramento dos princípios neoliberais na economia, o debate impõe uma agenda ampla que exige a análise da conjuntura política nacional onde o projeto de nação universalista e equânime está em disputa com um campo conservador orientado por um estado mínimo e em uma lógica privatista mercantil. Este minicurso propõe um resgate histórico deste processo de RP dialogando com os desafios atuais em um contexto clínico, político e cultural.

 

08:00 às 12:15 - Garantias de direitos e saúde mental: as práticas dos CAPS

Fernanda Nicácio (Terapeuta ocupacional; USP); Marcia Aparecida Ferreira de Oliveira (Enfermeira; EEUSP); Claudia Braga (Terapeuta Ocupacional; FFLCH USP)

A complexidade de concretização da garantia de direitos das pessoas que vivem experiências de sofrimento psíquico - uma das diretrizes fundamentais da reforma psiquiátrica - no cotidiano das redes territoriais de atenção psicossocial do SUS e intersetoriais requer a análise e o debate coletivo, em particular no atual contexto social e político. Objetivos: (i) possibilitar o conhecimento inicial sobre: Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e o QualityRights tool kit - tradução oficial para o português ""Direito é Qualidade""; (ii) propiciar a reflexão sobre os desafios das práticas desenvolvidas nos centros de atenção psicossocial - CAPS, CAPSad e CAPSij- tendo como referência essas proposições, a Lei 10216, e em diálogo com algumas das contribuições dos principais autores da perspectiva ética-teórica-técnica da desinstitucionalização e da reabilitação como cidadania.

 

08:00 às 12:15 - Saúde Mental e Envelhecimento: impacto do isolamento social em pessoas idosas no Brasil e Portugal

Ana Pitta (Psiquiatra); Joana América Oliveira (Médica Geriatra), Ana Brandino (Psicóloga e coordenadora do NUPE-UCSAL)

Em resposta à pandemia da COVID-19, foram instituídas pela OMS medidas de distanciamento social, isolamento social e quarentena. Dentre os grupos mais vulneráveis à COVID-19, encontram-se os idosos, que além do estigma de pertencerem a um grupo de risco, podem, ao serem submetidos ao isolamento social, com alterações na dinâmica familiar, nas relações intergeracionais e interpessoais, desencadear sentimentos diversos, de solidão, sofrimento emocional, medo e angústia que aumentam o impacto do isolamento na saúde mental, o que justifica a busca de conhecimento e pesquisas sobre este tema. Esse minicurso contará com a presença de três professoras doutoras do NUPE-UCSAL, que desenvolvem juntas estudos e pesquisas no campo da Velhice, Gerontologia e Saúde Mental: Ana Pitta: Saúde Mental no envelhecimento; Joana América Oliveira: Epidemiologia, velhice e desenho de investigação; Ana Brandino, Resultados e conhecimentos preliminares. Trata-se de estudo com abordagem quantitativa e qualitativa, que tem por objetivo analisar o impacto do isolamento social nas relações intergeracionais entre idosos brasileiros e portugueses, com foco nos determinantes biopsicossociais e os diferentes contextos socioambientais em que vivem. Foram investigados indivíduos a partir de 60 anos de idade, em uma amostra por conveniência. A coleta de dados foi realizada através de questionário digital, com quatro grupos de questões: socioeconômicas e demográficas; ambiente familiar e relações intergeracionais, indicadores de saúde e saúde mental. A equipe de pesquisa presente estará disponibilizando suas experiências e a discussão com os (as) participantes deverá possibilitar reflexões e observações sobre as relações, dinâmicas e reflexos que envolvem o isolamento social, aprofundando a compreensão sobre este grupo de indivíduos, de modo a propor ações interventivas, com respostas às necessidades desta população e de suas famílias, que promovam a saúde mental e o bem-estar em tempos de pandemia.

 

08:00 às 11:00 - A Luta Antimanicomial é Também uma Luta Antirracista

Eliane Silvia Costa, Jeane Saskya Campos Tavares, Emiliano Camargo David (Conselho Federal de Psicologia)

INTRODUÇÃO: A terrível história de escravização de negros e indígenas e o racismo científico que embasou a posterior política de embraquecimento da população brasileira se relacionam diretamente com a constituição do campo da saúde mental no início do século XX. Longe de se constituírem como formas de cuidar, as intervenções psiquiátricas, os manicômios e as prisões foram uma atualização dos métodos de tortura colonial sustentados teoricamente pelo higienismo e Darwinismo social. Apesar de séculos de luta do povo negro, nos anos 1970-80, tanto o Movimento da Reforma Sanitária (MRS), voltado para reestruturar as políticas de saúde de modo geral, quanto no Movimento da Reforma Psiquiátrica Brasileira (MRP), destinado mais especificamente ao campo da saúde mental, convergiram na defesa dos direitos humanos, mas prescindiram da discussão da desigualdade racial e priorizaram a luta de classes. Na mesma época, o Movimento Negro Unificado (MNU) defendia a democracia, a reformulação das políticas trabalhistas, educacionais, de segurança pública (contra a violência policial), dentre outros, entendendo a indissociabilidade entre estas questões e o racismo. 

OBJETIVO: Para ampliar e atualizar esta discussão, neste minicurso discutimos que a defesa de uma sociedade sem manicômios passa pela compreensão interseccional de que nos estruturamos como sociedade a partir do racismo, do classismo (desigualdade de classe social) e o sexismo (desigualdade de sexo, gênero e orientação sexual) e do capacitismo. 

METODOLOGIA: Nessa direção, apresentaremos escritos contemporâneos e ações recentes realizadas pelo Conselho Federal de Psicologia lastreadas por esse olhar interseccionado e antimanicomial, portanto, contra qualquer modalidade de dominação, é o caso do Boletim da Comissão de Direitos Humanos, uma publicação bimensal do CFP. 

RESULTADOS: Esperamos que se evidencie que as lutas antimanicomial e antirracista não são campos distintos de militância, são movimentos em defesa da vida, saúde, justiça e liberdade que se entrelaçam historicamente. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS: Num momento histórico em que assistimos ao retorno da defesa pública da tortura e do uso político de discursos de ódio, da disseminação de informações falsas e do racismo como justificativa aceitável para intensificação do genocídio da população indígena e negra consideramos ser urgente este debate.

 

OFICINAS

 

08:00 às 12:15 - A construção psicológica sob perspectiva sócio-histórica e a interseccionalidade como estratégia para promoção de saúde mental

Esther Rocha da Silva Correia (UNIGRANRIO), Melissa Gava Payer (UNIGRANRIO)

O presente trabalho nasceu a partir da necessidade de discutir e pensar interseccionalidade, sobretudo em uma sociedade que foi construída através do genocídio e marcada pela escravidão, pelo sexismo e pela desigualdade social. Essa palavra – interseccionalidade – para alguns banalizada e para outros desconhecida, se torna cada vez mais indispensável para a promoção de saúde mental. Proferida pela primeira vez pela jurista afro-americana Kimberlé Crenshaw (1989) e como Silma Birge (2009) define muito bem, a interseccionalidade é uma teoria e um recurso metodológico que visa compreender a complexidade das identidades e desigualdades sociais de maneira integrada e não parcial. Desde o período colonial, quando a Psicologia se tratava do desejo de compreender o ser humano e catequizá-lo, os interesses atendidos são os das elites e dos mais privilegiados. Contudo, diante da pluralidade de existências, é urgente considerar múltiplos recortes e se comprometer com os que, frente à normatividade, sempre foram vistos como “o outro”. Após compreender isso, o objetivo aqui inserido é de despertar debates acerca do ser humano dentro de uma sociedade. Conforme Ana Bock (2008) aponta, é preciso que os sujeitos sejam pensados por uma perspectiva que tenha a historicidade como uma de suas características principais. Portanto, este trabalho tem como intuito estimular a perspectiva sócio-histórica e desenvolver, de forma interativa e embasada, o olhar contextualizado e inclusivo para a multiplicidade de culturas e vivências de uma sociedade desigual, machista, racializada e ferida pelo apagamento e massacre de determinadas etnias. Na metodologia deste trabalho, além das pesquisas bibliográficas, reunimos relatos enviados por voluntários que compartilharam suas histórias e vivências dentro de cada recorte possível da interseccionalidade. Durante a oficina, inicialmente será realizada com os participantes a Caminhada dos Privilégios – adaptada pelas autoras. Em seguida, serão sorteadas e lidas pelos participantes da oficina as histórias recebidas, para encorajar a reflexão e a troca de experiências acadêmicas e pessoais. Em conseguinte, dialogaremos juntos sobre a construção de um coletivo para acolhimento, conversas e eventos que abracem e lidem com as diversidades, com o objetivo de promover saúde mental por uma perspectiva interseccional. Os membros da oficina poderão escolher se desejarem participar desse coletivo, que realizará reuniões virtuais e possíveis reuniões presenciais com coordenadores de vários lugares do país. Os recursos são adaptáveis e o espaço será utilizado da melhor maneira possível. Para a Caminhada, a sala é o suficiente. A caixa com os relatos será preparada pelas próprias autoras e os debates surgirão espontaneamente. Com o embasamento acadêmico levado por nós e a troca de conhecimento e bagagem pessoal durante a oficina, levaremos nossas histórias – e de tantos outros – para a Psicologia, contribuindo para o enriquecimento dela e priorizando a promoção de saúde mental e prevenção do adoecimento, respeitando a diversidade de saberes e vivências – reconhecendo os grupos que, depois de tanto descaso histórico, precisam especialmente do nosso olhar.

 

08:00 às 12:15 - A Redução de Danos (RD) como proposta para o cuidado de usuários de droga: reflexões sobre inclusão social

Tassiana Gonçalves Constantino dos Santos (UERJ), Laís Ramos Sanches (Unifaminas)

Contextualização: A Reforma Psiquiátrica é construída e reconstruída ao longo dos anos, dia após dia, reunindo dispositivos importantes como a redução de danos (RD). A RD constitui-se em uma forma de cuidado para usuários de álcool e outras drogas priorizando a autonomia, cuidado em liberdade e tecnologias leves (escuta, acolhimento e vínculo) e tendo como foco a garantia dos direitos da população usuária e a inclusão destes nos espaços sociais. No entanto, os pressupostos desta prática tem se tornado alvo de propostas conservadoras e fundamentalistas que impactam na sua execução, que podem reforçar os processos de exclusão, segregação e marginalização social, uma vez que intensificam os estigmas associados aos usuários. Portanto, pensar a RD enquanto proposta de inclusão social é essencial para a efetivação das políticas públicas nos dispositivos da rede de atenção psicossocial. O desafio dessa efetivação da inclusão está na construção histórica de uma sociedade que tem incluído de forma indigna e perversa, determinados grupos sociais, como os usuários de drogas. Essa falácia da inclusão se pauta na exclusão histórica, que foi reforçada pelos processos históricos de opressão, marginalização, estigmas e reprodução de uma ordem social vigente. Assim, a RD assume um importante espaço de luta em prol da inclusão efetiva, que se constrói na medida em que se reflete sobre tal dialética. Justificativa: A RD se pauta em práticas de inclusão social, no entanto, torna-se necessário a reflexão sobre essa relação, de modo que a RD, por meio da liberdade, autonomia e informação, proporcione ao usuário um cuidado tendo em vista a promoção da participação dos sujeitos nos âmbitos sociais, familiares, comunitários, políticos e trabalhistas. No entanto, a efetivação da inclusão social, conforme prevista em lei, tornou-se um impasse diante dos históricos processos de exclusão e segregação. Torna-se necessário, então, intensificar o debate e reflexão crítica, tanto no âmbito acadêmico quanto junto aos profissionais da saúde e saúde mental, de modo a tecer críticas quanto às práticas que reforçam este processo de exclusão. Objetivos: Proporcionar reflexão crítica acerca da Redução de Danos e das concepções acerca da inclusão social nas políticas de drogas, perpassando temas transversais como minorias, estigmas e exclusão social, fundamentais para a proposta da RD. Metodologia: Serão utilizados recursos interativos como construção de painéis de concepções, com foco da discussão sobre a RD enquanto política pública que resiste em tempos de retrocessos. Logo em seguida, será realizada uma exposição teórica sobre a RD e sobre os desafios da inclusão social, pautada em autores e autoras que fazem uma reflexão crítica acerca da realidade social. Por fim, uma vivência e reflexão sobre estereótipos e estigmas encerrará a oficina. Recursos Materiais: Será necessário uma sala com cadeiras que possam ser realocadas, papel pardo, pincéis, canetinhas, lápis de cor e data show. Avaliação: Espera-se que por meio da oficina, seja possível instigar uma reflexão sobre as práticas de cuidado que os profissionais disponibilizam aos usuários, buscando o questionamento: A redução de danos tem promovido a inclusão ou tem reforçado a exclusão social?

 

08:00 às 12:15 - Cuidados multidisciplinares e Saúde Mental do Trabalhador

Simone Deodato Lima (Icapuí-CE), Clarice da Paz Bezerra (Icapuí), Joice Silva de Almeida Sousa (Icapuí), Beatriz Alcântara Damasceno (ESP-Ceará), Antônia Maria de Sousa Paz Lima (Icapuí)

Contextualização: A implementação de cuidados em saúde mental para quem cuida, nos faz aceder uma ação transformadora nos nossos processos de trabalho. Para assumir o cuidado, é preciso encontrar respostas satisfatórias construídas no coletivo. Cuidador é aquele que cuida de alguém. Quem se cuida, pode cuidar melhor do outro. Nesse sentido, a partir de vivências terapêuticas, a oficina proporcionará ações de cuidado priorizando reflexões para promoção da saúde e prevenção do adoecimento de profissionais de saúde. Justificativa: A necessidade de nos sentirmos cuidadas para podermos cuidar do outro, viabilizou a construção de novas formas de trabalho. A oficina aqui tratada surge como primeira atividade de cuidado em nosso município (ICAPUÍ-CE), a tratar do tema “cuidando do cuidador”. Trata-se de um projeto desenvolvido pelos profissionais do Centro de Atenção Psicossocial, realizado no ano de 2019 voltado para profissionais das oito (8) Unidades de Atenção Primária do referido município, onde os mesmos tiveram a oportunidade de se reunir para cuidar-se, olhar para si, refletir sobre seus sentimentos e atitudes no ambiente de trabalho e na vida pessoal. A partir dos momentos de cuidados propostos, puderam pensar de que forma eles estavam se preparando para acolher o outro. Acreditamos que o pioneirismo possa incentivar futuros profissionais a terem esse olhar dinâmico da nossa prática e para reflexos pessoais que possam incidir na nossa vida profissional. A principal motivação para apresentarmos a oficina ao congresso, reside na importância que o tema possui para os trabalhadores da saúde mental. Podemos afirmar que estudar a influência mútua entre os profissionais e os usuários, aprofundam a compreensão de novas estruturas sociais e de saúde. Em tempos turbulentos em termos políticos e econômicos como os atuais, inserir o cuidado da nossa prática, funciona como um catalisador para mudanças nos processos de trabalho. Objetivos: Propor vivências e intervenções terapêuticas propiciando aos trabalhadores de saúde mental momentos presenciais de cuidado, autoconhecimento; voltados para os aspectos emocionais, psicológicos e relacionais; Construir no coletivo, propostas de cuidado, para que os profissionais possam atuar como sujeitos críticos e reflexivos em relação ao próprio processo de trabalho. Metodologia: A oficina será realizada na modalidade presencial, a partir de exposição dialógica, utilizando-se de discussões e debates que trazem para o campo importantes contribuições. A oficina ainda oferecerá um espaço mais dinâmico de trocas de experiências, a partir de atividades práticas vivenciais voltadas para a temática que favoreçam e estimulem um pensar crítico no âmbito da saúde pública e, sobretudo da saúde mental. Serão ofertados momentos de cuidado dos quais destacamos: Roda da Vida, dança circular, círculo do cuidado, biodança, mural dos sentimentos, dentre outras. Recursos Materiais: mini projetor - data show.

 

08:00 às 12:15 - Expressão, corpo e debate - desafios da práxis a partir do teatro do oprimido

Fabricio Gobetti Leonardi (UNIFESP)

Apresentação justificativa e metodologia O Teatro do Oprimido é um método estético que reúne exercícios, jogos e técnicas teatrais que objetivam a desmecanização física e intelectual de seus praticantes e a democratização do teatro, estabelecendo condições práticas para que o oprimido se aproprie dos meios de produzir teatro e amplie suas possibilidades de expressão, estabelecendo uma comunicação direta, ativa e propositiva entre espectadores e atores. Tem como seu idealizador o teatrólogo brasileiro Augusto Boal. Entre as técnicas do Teatro do Oprimido, a mais praticada em todo o mundo é o Teatro-Fórum, um espetáculo baseado em fatos reais, no qual personagens oprimidos e opressores entram em conflito de forma clara e objetiva, na defesa de seus desejos e interesses. Neste confronto, o oprimido fracassa e o público é convidado pelo curinga (o facilitador do Teatro do Oprimido), a entrar em cena, substituir o protagonista (oprimido) e buscar alternativas para o problema encenado. O Teatro do Oprimido é uma metodologia criada para ser apropriada por qualquer pessoa, já que se baseia no princípio que todo ser humano é teatro e por isso é capaz de fazer teatro. Por isso, os candidatos para o programa de capacitação não precisam ter nenhuma experiência teatral e/ou formação específica. Esta proposta aposta no Teatro do Oprimido como de vivência da práxis, em que trabalhadores, usuários, familiares e gestores da saúde mental da rede atenção psicossocial possam vivenciar espaços de trocas e ações concretas. A metodologia do Teatro do Oprimido a partir da experiência de vida das pessoas é uma alternativa lúdica, dinâmica e eficaz para o estabelecimento de um ambiente propício para a discussão de temas como: integração do usuário na comunidade, sua inserção familiar e social, preconceito no mercado de trabalho, sexualidade, entre outros, os quais dificilmente são verbalizados, mas são reveladas através do teatro. Além da identificação e compreensão de problemas, o Teatro do Oprimido estimula a busca de alternativas concretas para a resolução dos mesmos, incentivando a construção coletiva de soluções diversas, democráticas e criativas. Essa metodologia foi utilizada como oficina naquela que pode ser considerado a primeira ideia de Caps (Centro de Atenção Psicossocial) no mundo: a Casa das Palmeiras (Dra. Nise da Silveira) e fortalecia o vinculo de tratamento e o afeto entre funcionários, usuários e familiares. Objetivos Realizar uma formação introdutória sobre teatro do oprimido e linguagem corporal com vistas à democratização dos meios de produção cultural e cênica. Difusão do Teatro do Oprimido, Ativação e fortalecimento da cidadania, através da implementação de ações sócio-culturais que estimulem a participação protagônica das camadas menos privilegiadas da sociedade, e visem à transformação da realidade através da abertura de espaços de diálogos. Recursos O único recurso que precisamos é um espaço adequado (sem cadeiras fixas, por exemplo). Pode ser utilizado um espaço aberto, um palco, uma sala de aula.

 

08:00 às 12:15 - Oficina de Articulação do Observatório Internacional de Práticas de Gestão Autônoma da Medicação

Luciana Togni de Lima e Silva Surjus (UNIFESP), Marilia Silveira (UFAL), Beatriz Cesar Lauria (UNIFESP), Erika Marinheiro Pereira (UNIFESP), Douglas Martins Nunes (UNIFESP), Angelo Galdino da Silva (UNIFESP), Otaviano Lopes dos Santos (UNIFESP), Helena Aparecida Ferreira (UNIFESP)

Contextualização: A Gestão Autônoma da Medicação é uma proposta desenvolvida no Quebec – Canadá, na década de 1990. Surgiu da problematização realizada pelos movimentos sociais sobre o uso de medicamentos psicotrópicos, sendo uma estratégia de mudança nas relações de poder para garantir aos usuários uma participação efetiva nas decisões sobre seu tratamento e pressupõe como fundamental o diálogo e o intercâmbio entre os atores envolvidos nos tratamentos em saúde mental. A GAM tem sido utilizada em diferentes experiências no Brasil, tomada como um dispositivo de co-gestão em uma tentativa de superar o binarismo de autogestão / heterogestão. Os grupos GAM desenvolveram-se a partir de dispositivos heterogêneos em diferentes serviços, compostos por trabalhadores, familiares e usuários de diferentes idades e com diferentes diagnósticos, para que as diferenças possam lado a lado, enfatizar a importância do diálogo. Da experiência, que atualmente completa de 10 anos, da utilização da estratégia GAM no Brasil, surgiu a proposta da estruturação do Observatório Internacional de Práticas GAM, cujos objetivos são: sistematizar, acompanhar e dar visibilidade às experiências que vêm sendo produzidas no Brasil, Espanha e Canadá, com vistas a produzir subsídios para sustentação e expansão de tecnologias de cuidado que promovam autonomia junto a usuários, famílias e profissionais em relação ao tratamento farmacológico amplo e acrítico em saúde mental, em especial frente ao cenário de retrocessos na política nacional de saúde mental. Justificativa: O Observatório vem sendo gestado há dois anos, e em setembro de 2019 teve o Acordo Internacional de Cooperação Multilateral publicado no Diário Oficial da União, sendo lançado oficialmente no último dia 30/10/2019, em evento acadêmico realizado na Puc São Paulo, com representantes do Brasil e Espanha. O Observatório conta com um sítio eletrônico (observatoriogam.org) a partir do qual podem ser acessadas as principais produções científicas e notícias da mobilização das práticas no Brasil. Objetivos: Promover o encontro entre as diferentes experiências em curso, fomentar trocas e sistematização dos resultados de modo a produzir subsídios para a sustentação científica das práticas emancipatórias em saúde mental. Metodologia Oficina de compartilhamento de experiências e elaboração de agenda de ações e produções técnico-científicas. Recursos Materiais Necessários dispositivos de audiovisual.

 

08:00 às 12:15 - População em situação de rua: a invisibilidade como forma de negligência e desrespeito aos direitos humanos e a dignidade como pacto civilizatório

Melissa Gava Payer (UNIGRANRIO), Esther Rocha da Silva Correia (UNIGRANRIO)

Este trabalho surgiu a partir do desejo de compreender um pouco sobre a população em situação de rua para além de todos os seus rótulos e invisibilidades sociais, pois trata-se de um assunto fundamental na atualidade. Entendendo que é preciso desenvolver trabalhos com essa população, que necessita de ações sérias, embasadas e políticas, é que este projeto busca desenvolver contribuições a esse respeito. Nesse sentido, é válido citar que de acordo com Rosa, Cavicchioli e Brêtas (2005), “as políticas públicas voltadas a essa população são basicamente compensatórias, assistencialistas, raras vezes visam um projeto de inclusão social.” Existem muitos estereótipos sobre a população em situação de rua, assim como diversas intervenções falhas para com ela, além da baixa quantidade de dados estatísticos a esse respeito no Brasil – não sendo inclusive realizadas pesquisas nem mesmo pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). E ao mesmo tempo que ela é apagada estatisticamente, é observada de forma pejorativa nas ruas. Sobre isso Rosa, Cavicchioli e Brêtas (2005), resumem que “Se, por um lado, são tidos como incômodos ocupantes das vias públicas, por outro, sentem-se incomodados pelos olhares que lhes são direcionados." Diante disso, por entender que o povo de rua é potente, e tem direito a ações que atendam suas particularidades e verdadeira inclusão social, este projeto considera importante e coerente a realização da proposta aqui apresentada. Por metodologia foram realizadas pesquisas bibliográficas para elaboração embasada de uma oficina interativa geradora de reflexões e provocações para maior visibilidade da população em situação de rua. Propõe-se, inicialmente, a apresentação dos resultados de um formulário de pesquisa disponibilizado online para pessoas das cidades de Duque de Caxias, Magé e Rio de Janeiro, todas do estado do Rio, que buscava coletar opiniões sobre como essas pessoas veem e se relacionam com a população de rua, para gerar discussões críticas acerca dessa realidade em uma roda de conversa. Em seguida, acontecerá a realização de leituras de relatos verídicos e fictícios sobre algumas das vivências dessa população, que serão sorteados pelos participantes, a partir de uma caixa preparada pelas próprias autoras previamente, para criar um ambiente favorável a sensibilização e problematização sobre os desrespeitos aos direitos humanos que essas pessoas enfrentam, gerando estímulo para continuidade do debate. Por possuir caráter interativo, os recursos materiais necessários são poucos, visto que uma sala com cadeiras disponíveis para acomodação de um determinado grupo em roda e com um projetor para explanar os resultados do formulário, mostra-se suficiente. Sendo assim, a proposta apresentada compreende essa realidade e faz-se necessária como espaço de importantes discussões na área, assim como busca apresentar que a população em situação de rua é formada por indivíduos potentes, que não precisam pura e simplesmente de boas almas, mas sim de oportunidades equânimes e de ações governamentais urgentes.

 

08:00 às 12:00 - Protagonismo de usuários e familiares no campo da saúde mental e luta antimanicomial

Eduardo Mourão Vasconcelos (Psicólogo, Cientista Político e Militante Antimanicomial)

Visão panorâmica das diferentes experiências de participação, empoderamento e protagonismo dos usuários e familiares nos serviços, na rede e na política de saúde mental e seus principais conceitos chaves, na experiência internacional e particularmente brasileira mais recente, e seus inúmeros desafios, incluindo depoimentos de lideranças de diferentes estados do país e debate entre todos participantes da oficina.​

 

09:00 às 12:00 - Corpo Negro nos espaços: um direito corrompido?

Cinthia Cristina da Rosa Vilas Boas, Célia Zenaide da Silva (Conselho Federal de Psicologia)

Contextualização: A subjetividade representa um amplo conceito orientando à compreensão da psique como processo e organização de estratégia, que necessita de escuta, processo criativo e olhar para as questões sociais. Este amplo conceito representa realidades que aparecem de múltiplas formas e em num nível histórico-cultural, no qual as funções psíquicas são entendidas como processos permanentes de significação e sentidos, por tanto de vivências diferentes. A valorização dessas vivências, nos leva a pensar a educação social, de forma mais empática, como linha estratégia e possível ferramenta para a psicologia. Explicar, explorar o mundo em que se vive, é falar de histórias vividas, vista e contada. Essa maneira de entender o mundo é considerada um jeito de se colocar no mundo e obter sentidos e sentimentos. Contar ou ouvir essas histórias é fazer ciência e produzir saúde mental.Justificativa: As dimensões sociais estão diretamente ligadas aos registros simbólicos nas formas em que as pessoas estão e se relacionam com o mundo. Com isso temos os sentidos e os significados a serem vividos individualmente e coletivamente, padronizados ou não esses sentidos nos levam a viver a vida muitas vezes de uma forma violenta. Estar de frente com questões de violência pode ser pensar em relações de gênero, preconceito, relações raciais, negritude, branquitude, direitos humanos é no mínimo enfrentar algumas questões que podem te colocar a margem do que é chamado de normal, e corromper os direitos humanos de ir, vir, ser ou estar. Na atual conjuntura política de interrupções de direito, esse sentido a possibilidade de expressões, de falas e sentimentos, favorece para que o corpo não adoeça e quando a psicologia acolhe os afetos e as produções de subjetividade, frente ao sofrimento, produz saúde mental.Objetivos: Vivenciar formas de colaboração para a reorganização dos afetos, da luta cotidiana e da resistência movimentada no corpo.Recursos Materiais: Uma Sala VirtualMetodologia: Será utilizada a metodologia de participação dentro da educação social. A produção do saber científico não provoca a verdade sobre as coisas, pois está sempre em progresso, e sempre é construída com atribuições de sentido. Valorizar a troca de experiências e pensar estratégias, que podemos chamar de sobrevivência, é valorizar a educação social. A oficina conta com interações de poesias, seguimos para os desenhos e diálogos, depois as canções e movimentações corporais,  e finalizamos com uma vivências, colocando assim cada pessoa participante frente as situações diversas, ampliando o repertório subjetivo com as questões cotidianas, desorganizando as normas padronizadas de ser, viver ou existir.Avaliação: Analisar cenários onde cada situação acontece e estar atentas a cada intervenção possível, e pensar estratégias de enfrentamento, também faz parte da oficina e favorece a troca de experiências. A oficina inteira é pensada para os olhares sobre os comportamentos do corpo nos espaços por onde percorremos na sociedade. No período final da oficina haverá um tempo reservado para pensar o processo avaliativo e dialogar sobre as percepções corporais no período de desenvolvimento da oficina especificamente.

 

09:00 às 11:00 - Entre Telas e Aflições: a experiência das pessoas com a pandemia da COVID-19

Tahiná Khan Lima Vianey; Jade de Castro Azevedo; Isabella Guimarães Freitas; Natália Mendes dos Santos; Saulo Wilson de Sá Roriz (PUC-Goiás; Conselho Federal de Psicologia).

Contextualização: A pandemia do novo coronavírus desencadeou a necessidade do distanciamento físico/isolamento social. Esta nova conjuntura afeta a saúde mental das pessoas em geral, mas em especial das populações mais vulneráveis e também dos profissionais da saúde. Para que este impacto não fique invisibilizado e para que este momento histórico possa ficar registrado, está sendo produzido um documentário interativo, no qual diversas pessoas tiveram e estão tendo espaço para contar as suas experiências psicológicas e sociais com a Covid-19. Este projeto está sendo desenvolvido com estagiárias e demais estudantes da área da Saúde do curso de Psicologia da PUC-Goiás. Os estudantes das disciplinas estão realizando e gravando entrevistas com pessoas de diferentes perfis (gênero, escolaridade, idade, raça, profissão) focando em suas vivências de distanciamento físico da covid-19. O objetivo é roteirizar as entrevistas para contar suas histórias a partir de uma perspectiva audiovisual.

Justificativa: Os impactos da pandemia na saúde mental de profissionais da saúde e de populações mais vulnerabilizadas precisam ser visibilizados, acolhidos e analisados. Além disso, precisa-se desenvolver ações que tenham incidência na formação e na atuação de profissionais da psicologia.

Objetivos: Tanto a realização desta oficina quanto a produção do documentário interativo em questão buscam propiciar às pessoas a possibilidade de entrar em contato com outras subjetividades, com experiências diversas na pandemia da covid-19, bem como aprender sobre a importância do cuidado em saúde mental. Buscamos também partilhar aspectos dessa experiência adotada na formação de estudantes de graduação em psicologia.

Metodologia: As e os participantes da oficina serão apresentadas a trechos breves das entrevistas que expressam como as pessoas entrevistadas pelo projeto vivenciam o isolamento social no momento de pandemia, além de trechos que expressem como profissionais da área da saúde têm atuado e se sentido diante da atual realidade. Nos aproximaremos das experiências dos seguintes sujeitos: uma enfermeira da família, uma médica da família (ambas atuando no serviço público), psicóloga de um hospital de campanha, uma mulher que recebeu diagnóstico da covid-19, uma psicóloga pós-doutora em saúde e um usuário de um CAPs do município de Goiânia. Além dessas, chamaremos a atenção para outras experiências que precisam ser compreendidas e que também serão incorporadas ao documentário em breve: uma pessoa que tenha atuado na periferia no momento da pandemia, bem como pessoas que tragam aspectos interseccionais de classe, raça, gênero e orientação sexual. A dinâmica de trabalho será dialogal e aberta à escuta das sensações, inquietações e perspectivas de todas e todos os participantes.

Recursos Materiais: A atividade será totalmente on-line com a utilização de projeção de tela. recomenda-se que as e os participantes utilizem fone de ouvido com microfone e tenham à mão material para que possam anotar suas impressões ao longo da atividade.

Avaliação: O processo será finalizado com uma auto-avaliação por meio da qual almejamos apreender se nos aproximamos do objetivo de sensibilizar as pessoas para a importância da promoção da saúde mental e prevenção de adoecimentos, em especial de populações vulnerabilizadas e de profissionais da saúde.

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